domingo, 31 de maio de 2009

DOMINGO - 27 DE ABRIL




Após uma tremenda demora para essa nova postagem, tomei um pouco de vergonha na cara e resolvi retornar e contar como foi o final da nossa viagem.
Aos que ficaram curiosos quanto ao "dissabor" indicado na última postagem, esclareço-o agora... Acordamos cedo, novamente, tomamos café, e enquanto acertávamos a conta, o manobrista buscou o carro. Qual não foi minha surpresa quando percebi que havia um arranhão no parachoque dianteiro, e uma batida na porta? Questionamos sobre o responsável, e o pessoal do hotel demonstrou uma extrema deselegância e descaso com a questão, alegando que não haveria como comprovar que o dano tivesse ocorrido dentro do estacionamento (mentira, pois havia ainda resquícios recentes do "farelo" da pintura). Solicitamos a presença do gerente do hotel, mas os funcionários nos disseram que ele não estava presente e que não entrariam em contato com o mesmo. Foi extremamente desconfortável a situação, e quando vimos que não haveria qualquer solução para o caso (afinal, era domingo pela manhã, e estávamos fora do nosso país)decidimos por seguir viagem, um tanto chateados (sim, brasileiro é apaixonado por carro, hehehehe).
Mas é claro que o motivo não era relevante a ponto de ofuscar os momentos extremamente agradáveis que tivemos durante toda a viagem.

Seguimos via RN-12 em direção à Eldorado, um trajeto relativamente curto, de 190km. Mas, nesse caminho, ficam as Ruínas das Missões Jesuíticas Guaranís que foram erguidas ao longo do século 17, que visando catequizar e "civilizar" os índios Guaranis. Essas missões (também chamadas Reduções, e que também existiram no atual território do Rio Grande do Sul, além do atual território paraguaio) subsistiram durante aproximadamente 200 anos, chegando a ter uma população de mais de 140mil habitantes, durante seu apogeu. Esses locais foram atacados e destroçados pelos portuguêses e também pelos paraguaios, que saquearam e destruíram tais missões. Algumas delas foram parcialmente restauradas e declaradas patrimônio cultural da humanidade.
Visitamos as ruínas de Nuestra Señora de Loreto, há cerca de 50km de Posadas, fundada em 1632. Nã há muita coisa a ser vista em função do precário estado de conservação, mas o contato com a mata e com as ruínas, em um local absolutamente silencioso e quase isolado, permite uma introspecção e até um momento de "transporte" para a época supracitada. Um pouco adiante ficam as ruínas de San Ignácio, que passaram por uma restauração e mantém um bom estado de conservação, propício para uma melhor visualização da estrutura contruída pelos jesuítas.
Continuamos então viagem até Eldorado, onde reabastecemos o carro e seguimos mais 117km via Ruta 17, com destino a pequena cidade fronteiriça de Bernardo de Irigoyen. O motivo de desviarmos o caminho normal de entrada ao Brasil, que seria Foz de Iguaçú, foi o fato de que não nos dirigíamos diretamente à Brasília. Nosso destino era a pequena cidade de São Carlos, em Santa Catarina, minha cidade natal. Chegamos em Bernardo de Irigoyen, e antes de fazermos nossos últimos trâmites aduaneiros, constatamos o quão bem havíamos planejado nossa viagem em termos financeiros: somando nossos "bolsos", chegamos a inacreditável quantia de 12 pesos (hehehehe), que acabamos trocando em um armazém local por uma última garrafa de vinho, para brindarmos o fim da nossa viagem internacional (ah sim, o brinde ocorreu apenas quando chegamos ao nosso destino - lembre-se, álcool e direção não combinam).
A cidade fronteiriça à Bernardo Irigoyen é a pequena e simpática Dionísio Cerqueira. A distância entre Dionísio e São Carlos é de pouco mais de 150km, que precorremos tranquilamente, por paisagens típicas de mata atlântica (pouco conservada, é verdade), e que trazem boas lembranças "do meu tempo de piá", das vezes que percorria esta estrada (BR-282) de caminhão, com meu pai.
Chegamos em São Carlos pouco antes das 15h, em um dia um tanto frio, mas nada que o abraço caloroso da família não resolvesse, sem falar naquele delicioso prato de "feijão-arroz-bife-salada" preparado com o tempero mais gostoso do mundo (o da mãe da gente).