terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Finalmente


Caros amigos...
Assim terminou nossa viagem (próxima de completar seu segundo aniversário). Recebemos elogios pelas descrições e postagens e agradecemos a todos. Mas a crítica que recebi recentemente me fez voltar aqui, para dar um "acabamento" mais aceitável ao Blog. Afinal, fui cobrado, e com razão, quanto ao fato de não ter dado um "THE END" à história, uma vez que saímos de Brasília, e para cá retornamos, mas minha história havia terminado em São Carlos.
Pois bem, descansamos em São Carlos alguns dias, onde esvaziamos ainda algumas garrafas de vinho que trouxemos na viagem, juntamente com macarronadas e aquele churrasco com "costela gorda" e carne "não-industrializada" que se encontra facilmente na região, com qualidade (leia-se gosto e textura) acima da média... os que conhecem, sabem do que falo.

Nossos amigos Alessandro e Aline seguiram viagem até Santos - SP, para desfrutar os últimos dias da viagem, eU e Tania ficamos em São Carlos mais alguns dias, de onde partimos em direção à Brasília, aproveitando para dar mais uma circulada por Bernardo Irigoyen (exigiu um ligeiro desvio do caminho de não mais de 20km), onde compramos mais algumas garrafas de vinho (ok, várias, mas dentro do limite estabelecido por lei, hehehehe),pernoitando em São José do Rio Preto (onde chegamos aproximadamente às 20h). No dia seguinte, tomamos o rumo definitivo para Brasília, onde chegamos às 14h do dia que era a véspera do nosso retorno ao trabalho.

Assim, finalizamos 11.583km e 31 dias pelas estradas e rodovias brasileiras, argentinas e chilenas, em uma viagem inesquecível, com paisagens deslumbrantes e companhia agradabilíssima. Se foi bom? Bem, essa pergunta, eu respondo com a seguinte afirmação: fariamos tudo de novo, da mesma forma, talvez com pequenos aperfeiçoamentos oriundos na nossa experiência, mas nada assim tão fundamental.

PS: aos que questionaram os custos da viagem: bem, incluíndo combustível, hospedagens, alimentação, passeios, e compras, o custo foi de aproximadamente R$6.000,00 por casal, o que, convenhamos, é uma ninharia, levando em conta tudo que vivenciamos. Ah sim, existem pacotes "por menos", mas nesse "por menos" também estão incluídos "menos tempo", "menos lugares", "menos experiência", "menos vivência", "menos liberdade", enfim, "menos aventura e adrenalina". Sem falar que desconheço pacotes que incluam toda alimentação e compras. Alguém tem a coragem de afirmar que estamos errados?????

THE END!

domingo, 31 de maio de 2009

DOMINGO - 27 DE ABRIL




Após uma tremenda demora para essa nova postagem, tomei um pouco de vergonha na cara e resolvi retornar e contar como foi o final da nossa viagem.
Aos que ficaram curiosos quanto ao "dissabor" indicado na última postagem, esclareço-o agora... Acordamos cedo, novamente, tomamos café, e enquanto acertávamos a conta, o manobrista buscou o carro. Qual não foi minha surpresa quando percebi que havia um arranhão no parachoque dianteiro, e uma batida na porta? Questionamos sobre o responsável, e o pessoal do hotel demonstrou uma extrema deselegância e descaso com a questão, alegando que não haveria como comprovar que o dano tivesse ocorrido dentro do estacionamento (mentira, pois havia ainda resquícios recentes do "farelo" da pintura). Solicitamos a presença do gerente do hotel, mas os funcionários nos disseram que ele não estava presente e que não entrariam em contato com o mesmo. Foi extremamente desconfortável a situação, e quando vimos que não haveria qualquer solução para o caso (afinal, era domingo pela manhã, e estávamos fora do nosso país)decidimos por seguir viagem, um tanto chateados (sim, brasileiro é apaixonado por carro, hehehehe).
Mas é claro que o motivo não era relevante a ponto de ofuscar os momentos extremamente agradáveis que tivemos durante toda a viagem.

Seguimos via RN-12 em direção à Eldorado, um trajeto relativamente curto, de 190km. Mas, nesse caminho, ficam as Ruínas das Missões Jesuíticas Guaranís que foram erguidas ao longo do século 17, que visando catequizar e "civilizar" os índios Guaranis. Essas missões (também chamadas Reduções, e que também existiram no atual território do Rio Grande do Sul, além do atual território paraguaio) subsistiram durante aproximadamente 200 anos, chegando a ter uma população de mais de 140mil habitantes, durante seu apogeu. Esses locais foram atacados e destroçados pelos portuguêses e também pelos paraguaios, que saquearam e destruíram tais missões. Algumas delas foram parcialmente restauradas e declaradas patrimônio cultural da humanidade.
Visitamos as ruínas de Nuestra Señora de Loreto, há cerca de 50km de Posadas, fundada em 1632. Nã há muita coisa a ser vista em função do precário estado de conservação, mas o contato com a mata e com as ruínas, em um local absolutamente silencioso e quase isolado, permite uma introspecção e até um momento de "transporte" para a época supracitada. Um pouco adiante ficam as ruínas de San Ignácio, que passaram por uma restauração e mantém um bom estado de conservação, propício para uma melhor visualização da estrutura contruída pelos jesuítas.
Continuamos então viagem até Eldorado, onde reabastecemos o carro e seguimos mais 117km via Ruta 17, com destino a pequena cidade fronteiriça de Bernardo de Irigoyen. O motivo de desviarmos o caminho normal de entrada ao Brasil, que seria Foz de Iguaçú, foi o fato de que não nos dirigíamos diretamente à Brasília. Nosso destino era a pequena cidade de São Carlos, em Santa Catarina, minha cidade natal. Chegamos em Bernardo de Irigoyen, e antes de fazermos nossos últimos trâmites aduaneiros, constatamos o quão bem havíamos planejado nossa viagem em termos financeiros: somando nossos "bolsos", chegamos a inacreditável quantia de 12 pesos (hehehehe), que acabamos trocando em um armazém local por uma última garrafa de vinho, para brindarmos o fim da nossa viagem internacional (ah sim, o brinde ocorreu apenas quando chegamos ao nosso destino - lembre-se, álcool e direção não combinam).
A cidade fronteiriça à Bernardo Irigoyen é a pequena e simpática Dionísio Cerqueira. A distância entre Dionísio e São Carlos é de pouco mais de 150km, que precorremos tranquilamente, por paisagens típicas de mata atlântica (pouco conservada, é verdade), e que trazem boas lembranças "do meu tempo de piá", das vezes que percorria esta estrada (BR-282) de caminhão, com meu pai.
Chegamos em São Carlos pouco antes das 15h, em um dia um tanto frio, mas nada que o abraço caloroso da família não resolvesse, sem falar naquele delicioso prato de "feijão-arroz-bife-salada" preparado com o tempero mais gostoso do mundo (o da mãe da gente).

domingo, 11 de janeiro de 2009

SÁBADO - 26 DE ABRIL



Como tínhamos muito chão pela frente, resolvemos por fazer um esforço e acordar bastante cedo para seguirmos viagem. Eram 06:30hs quando sáimos de Metán e pegamos a Ruta 16 em direção à Resistência e Corrientes, embora nosso destino final fosse Possadas, já na região de Missiones.

Os relatos que vimos antes da nossa viagem nos deixavam um tanto preocupados, uma vez que insinuavam que a polícia da região do Chaco era extremamente corrupta, além de que a Ruta 16 foi apontada como a de pior conservação da Argentina, e a travessia do Chaco envolvia nada menos que 940km.

Pois bem, logo no início, nossos temores se confirmaram, uma vez que naquele trecho a estrada é bastante esburacada, e somado ao fato de que ainda estava escuro, e uma neblina densa tomava conta de alguns trechos da estrada, o trajeto foi um tanto perigoso. Além disso, consta que alguns postos de combustível da região estavam com falta de gasolina, e aqueles que tinham, racionavam a distribuição da mesma.. Assim, logo que chegamos a J.V. Gonzáles paramos para tomar café, e aproveitei para encher o tanque, apesar de termos rodado menos de 150km. A partir desta cidadezinha, já com a luz do dia presente, o trajeto ficou mais tranquilo, embora existissem buracos pelo caminho, esparsamente distribuídos.

A travessia do Chaco é um tanto monótona, visto a paisagem não se alterar e a estrada ser praticamente em linha reta. É impressionante a quantidade de pequenos animais e grandes insetos atravessando a rodovia, frequentemente atropelados. Como consequência, uma população de urubus e gaviões carniceiros habitam todo o trajeto, tomando conta da pista, e atrevidamente resistentes à aproximação dos veículos (levando a risco de colisão, portanto, cuidado).
É interessante observar o nome dado aos vilarejos cruzados pela rodovia, como, por exemplo, Pampa del Infierno, o que dá uma noção do que parece a região... rs (ok, ok, confesso que eu esperava coisa mais feia da região, que não é assim tão absurda, apenas quente, plana e úmida, como convém a uma região de "chaco")

Em relação à polícia, existem diversos postos policiais espalhados pelo caminho, fomos parados em três ou quatro deles, mas, para nossa surpresa, não tivemos qualquer tipo de problemas, sendo liberados sempre após a conferência da documentação. Nem mesmo os ítens obrigatórios foram conferidos.

Almoçamos já à tarde na cidade de Presidente Roque Saenz Peña, onde a Ruta 16 cruza com a Ruta 95. Mantivemo-nos na ruta 16, e seguimos em direção a Resistência, cidade separada de Corrientes pelo Rio Paraná. QUando estávamos bem próximos desta localidade, eis que um temporal se formou. O céu ficou tenebroso, com núvens de poeira em um formato de redemoinho. Ficamos um tanto assustados, uma vez que não tínhamos ideia sobre a possibilidade de exesistirem tornados naquela região, associado ao fato de que todos os carros argentinos andavam com pisca-alerta ligados (avisos???). Para piorar, precisávamos abastecer o carro, e cá entre nós, existe pior lugar para parar o carro em uma tempestade do que um posto de gasolina (quantas vezes já não vimos ou ouvimos falar de destelhamento ou arrancamento da cobertura destes?).

Abastecidos, seguimos viagem rumo a Possadas, onde chegamos já à noite, e fomos procurar um hotel. Acabamos nos hospedando em um hotel confortável (mas, leiam a postagem sobre o dia seguinte para entender alguns dissabores que tivemos, chamado Hotel Condado. A cidade estava bastante movimentada, e descobrimos que o local é visitado por muitos gaúchos, que aproveitam o fato de Possadas fazer divisa com a cidade paraguaia de Encanación, e, segundo eles, tão propícia às compras quanto Ciudad del Leste. Após passearamos um pouco pela cidade, jantamos no restaurante do próprio hotel, lugar agradável,embora com um atendimento um tanto arrogante.

Ah sim, ia esquecendo... pouco antes de chegar em Possadas, passamos por um posto policial, onde fomos cobrados quanto a ausência do kit de primeiros socorros. Tentamos inventar uma desculpa, de que havíamos utilizado-o para socorrer um "pobre menino que havia caído da bicicleta em uma locaidade que havíamos parado para almoçar", tentando comovê-los com nossa atitude altruísta em relação a um "niño argentino", mas ela não foi suficiente, e acabamos levados à presença do "comandante". Dadas as explicações, pedimos desculpas, e ele disse que iria nos liberar, mas propôs, descaradamente, que deixássemos "un cafessinho", ou seja, os safados já sabem até a gíria brasileira para o suborno. Alegamos que não tínhamos dinheiro em espécie, apenas cartão de crédito, visto que já estávamos regressando ao BRasil. Dito isso, ele nos liberou, todo sorridente, e sem demonstrar a menor vergonha pelo pedido... É, cada uma....mas, enfim, atravessamos o chaco sem dar gorjeta aos homens de farda....

sábado, 10 de janeiro de 2009

SEXTA-FEIRA - 25 DE ABRIL, PARTE III




Já em território argentino, iniciamos uma descida leve pela ruta 52, que conduzia à Cuesta del Lipan. "Escorregamos" rapidamente até chegarmos ao povoado de Susques, único local com posto de combustível entre Jujuy, na Argentina, e San Pedro de Atacama. Abastecemos o carro, e paramos para o almoço. Neste local encontramos novamente com os motociclistas de Santo Ângelo.

Seguimos viagem, e cortamos um imenso salar, chamado Salinas Grandes, uma antiga lagoa que secou e acabou virando uma enorme extansão plana, com superfície salina, de 1.500km².

Um pouco mais adiante (cerca de 25km) chegamos a um local verdadeiramente deslumbrante. Se vc pensa que os caracóis que descem em direção à Santiago são "o máximo", precisa conhecer a CUESTA DEL LIPÁN. Trata-se de uma estrada que serpenteia a montanha, repleta de zigue-zagues, onde vc desce (ou sobe, se estiver em direção contrária) de 4.200m até 2.600m de altitude. Vale um sem-número de paradas para admirar a paisagem, com uma vista arrebatadora no Nevado del Chañi, e de toda a encosta "del Lipán". É um prazer indescritível dirigir neste local, sem o "stress" provocado pelo trânsito pesado dos caracóis chilenos citados anteriormente. Aqui, cruzamos com raros veículos, na verdade, tínhamos a estrada praticamente só para nosso deleite, dividindo-a com as motos dos gaúchos que vinhasm nos acompanhando ao longo do trajeto. O som rouco dos motores das motos, reverberando entre os morros era bom de se ouvir, justificando também as paradas. Mais um ótimo local para parar, ficar em silêncio e contemplar a obra da natureza.

Bom, mas como ainda tínhamos chão pela frente, seguimos a viagem, passando pelo povoado de Purmamarca, muito agradável, que me pareceu ser uma espécie de Estância para moradores da maiores cidades da Região (Jujuy e Salta), cuja atração turística é o Cierro de Siete Colores.
Em Purmamarca tomamos direção sul na Ruta 9, já bem mais movimentada, com trânsito relativamente lento, em descida, e com poucos pontos de ultrapassagem, que nos atrasou mais do que pensávamos. Pouco adiante passamos por San Salvador de Jujuy, onde seguimos a Ruta 9 até Salta, mais ao sul. Esta região, nordeste da Argentina, creio que seja um local bom para uma visitação turística, mas não nos sobrou tempo para explorá-la. Dominada por diversos povoados como a já citada Purmamarca, San Antônio de Los Cobres, Cafayate, Tilcará e Humahuaca, apresenta parques e passeios aparentemente interessantes, como o Trem das Nuvens e a Quebrada de Humahuaca, além das atrações históricas da cidade de Salta, conhecida como "la Linda" (fundada em 1582 por conquistadores espanhóis que desciam de Lima, no Peru, que era a principal colônia espanhola da época). Nossa idéia é de, em algum momento futuro, retornar à região e explorá-la melhor.

A idéia era pernoitarmos em Salta, mas como tínhamos ainda um pouco de dia claro pela frente, embora cansados, seguimos até San José de Matán, onde chegamos aproximadamente às 20h, nos hospedamos no Hotel Mitri (muito agradável), abastecemos o carro, jantamos, e descansamos para, no dia seguinte, cruzarmos toda a extensão do chaco argentino, em direção ao Brasil.

A parada em Metán foi idealizada com objetivo de encurtar um pouco o trajeto do dia seguinte (ganhamos uma hora de viagem), sem falar na maior facilidade de encontrar um hotel em uma cidade menor, com trânsito menos complicado (que também nos faria perder tempo no dia anterior, caso tivéssemos pernoitado em Salta).

SEXTA-FEIRA - 25 DE ABRIL, PARTE II



Nesta segunda etapa, totalmente plana e ainda em território chileno, passamos ao longo de três salares que oferecem uma belo visual. Dois deles ficam ao lado da rodovia (Salar Águas Calientes e Salar de Pujsa, o primeiro à esquerda e o segundo à direita da estrada), e ainda o Salar de Tara, cuja visitação é possível com um pequeno desvio de rota, saíndo da Ruta 27. O acesso é fácil, e no local há um monolito vertical natural, imponente, que marca a visitação. Seguindo o caminho, chegamos finalmente ao Passo de Jama (localizado à apenas 160km de San Pedro), local fronteiriço entre a Agentina e Chile. Novamente foi necessário realizar trâmites aduaneiros típicos, que foram feitos de forma bastante tranquila e relativamente rápida, nos permitindo seguir viagem com tranquilidade (sem o trema, depois da mudança ortográfica, muito embora tenha que pedir desculpas aos "experts" em Língua Portuguesa pelos eventuais deslizes deste blog: a assimilação de novas regras ainda leva tempo... hehehe)